USF Oceanos

A Unidade de Saúde Familiar Oceanos iniciou a sua atividade assistencial no ano 2000, ainda como RRE, e mais tarde em 2008, como Modelo B, na Missão para os Cuidados Primários do Ministério da Saúde. Somos 25 elementos (nove médicos, nove enfermeiros e sete secretárias clínicas) organizados por equipas de saúde multidisciplinares direcionadas para os cuidados de saúde primários ao utente/ família/ comunidade.

A USF Oceanos está integrada na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, EPE, que inclui o Hospital Pedro Hispano e restantes Unidades de Saúde do Concelho de Matosinhos. Esta relação próxima dos Cuidados Primários e Hospital proporciona um acompanhamento integral dos utentes da comunidade nas diferentes fases da vida e na prevenção, tratamento, recuperação e continuidade de cuidados.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Dermatite Seborreica

 ·   O que é a dermatite seborreica?
A dermatite seborreica, ou simplesmente seborreia, é um problema de pele comum, que se caracteriza por pele vermelha, comichão e descamação branca. Geralmente ocorre em áreas do corpo ricas em glândulas sebáceas, incluindo o couro cabeludo, face, tronco e costas. A forma mais ligeira de dermatite seborreica é a “caspa”.
A doença pode também afetar lactentes, conhecida, neste caso, como “crosta láctea”, e tende a resolver entre os oito e os 12 meses de vida.

·   O que causa a seborreia?
A causa da dermatite seborreica não está claramente estabelecida. Sintomas surgem de forma intermitente e podem piorar durante o frio. Exacerbações podem também ocorrer durante períodos de stress, alterações hormonais ou durante cursos de doença. Determinadas condições neurológicas, como a doença de Parkinson, podem aumentar o risco de desenvolver dermatite seborreica.

 · Quais os sintomas que acompanham a dermatite seborreica?
Lactentes/crianças – em crianças, a dermatite seborreica pode causar a conhecida crosta látea, que se caracteriza por vermelhidão e descamação gordurosa, mais frequentemente do couro cabeludo, mas também da face, canal auditivo, pescoço e área da fralda e outras pregas. Diferentemente dos adultos, a dermatite seborreica geralmente não causa prurido.
A patologia geralmente resolve sem tratamento em semanas a meses; contudo o tratamento deve ser usado se necessário.

Figura 1. Crosta láctea, envolvendo o couro cabeludo

Figura 2. Placas eritematosas húmidas, brilhantes, não-descamativas e confluentes envolvendo parte inferior do abdómen, virilha e nádegas são características da dermatite seborreica da área da fralda.






Adultos – A dermatite seborreica geralmente afeta os locais ricos em glândulas produtoras de óleo, incluindo o couro cabeludo e face; a descamação do couro cabeludo (“caspa”) é a forma mais ligeira da dermatite seborreica. Pode também ocorrer nas orelhas, sobrancelhas, nos sulcos naso-geniano e naso-labial e na região esternal. Nos homens, a área da barba também pode estar envolvida.
Sintomas comuns da doença incluem eritema, descamação gordurosa, manchas e prurido nos locais afetados.



Figura 3. Eritema difuso e descamação do couro cabeludo




·   Como é tratada?
A dermatite seborreica é facilmente controlada com a combinação de medidas conservadoras e o tratamento medicamentoso.

Tratamento da dermatite seborreica nos lactentes – Embora a crosta láctea resolva geralmente sem tratamento, este pode ser necessário em alguns casos. Sugestões de tratamento incluem:
1.    Lavagens frequentes com champô próprio de bebés e posterior remoção suave da crosta com escova macia;
2.       Aplicação de pequena quantidade de emoliente (vaselina branca, óleo vegetal, óleo mineral ou óleo de bebé) para queda da escama, seguida de massagem com uma escova macia e lavagem com champô de bebé não medicamentoso.
Se a crosta láctea persistir com estas medidas, deve recorrer ao médico assistente para o seu filho ser consultado. Nestes casos, pode recomendar a aplicação tópica de um corticoide fraco ou a lavagem com champô anti-fúngico.

Tratamento da dermatite seborreica do adulto – Nestes casos, a doença é uma condição crónica. Tratamento de manutenção a longo-prazo é frequentemente necessário.

Tratamento da caspa – Pode ser tratada com champô anti-caspa. Vários tipos de champô estão disponíveis, sendo a principal diferença o princípio ativo. Todos estes tratamentos são igualmente eficazes após quatro semanas de tratamento.
·         Sulfureto de selénio (Selenix ®)
·         Alcatrão (KPL ®, Polytar ®, Tarmed ®)
·         Piritionato de zinco (Head and Shoulders, Z.P. Dermil ®)
·         Cetoconazol (Nizoral 1% ®, Tedol ®, Cetoconazol genérico)

Para melhores resultados, o champô deve atuar durante 5 a 10 minutos antes de enxaguar. Numa fase inicial deve ser usado diariamente até aos sintomas melhorarem. Estes champôs podem ser usados pelo tempo necessário. Com a resolução dos sintomas, estes champôs devem ser usados três vezes por semana. Se um destes champôs não resolver os sintomas após quatro a seis semanas, um champô diferente deve ser tentado.
Se os sintomas não resolverem com estas medidas, deverá recorrer ao seu médico assistente para avaliação da necessidade de corticoide tópico ou agentes anti-fúngicos para tratar a comichão e a inflamação.

Ter caspa não significa que o couro cabeludo é muito seco... Neste caso é importante lavar o cabelo com mais frequência!

Dermatite seborreica diferente do couro cabeludo – A dermatite seborreica da face, tronco e pregas geralmente é tratado com corticoide tópico ou agentes anti-fúngicos.
Os corticoides de baixa potência tópicos podem ser tentados inicialmente, aplicados uma ou duas vezes por dias até melhoria dos sintomas. Se os sintomas não melhorarem após duas semanas de tratamento, deverá consultar um médico.

·         Existe cura para a seborreia?
Se a dermatite seborreica é secundária a um problema médico, esta pode desaparecer com o controlo da doença subjacente. Contudo, para a maioria das pessoas a seborreia é um problema crónico, que pode ser controlado com uma boa higiene e pelo uso da preparação adequada.


(Artigo baseado em: "Quando a caspa não é apenas uma questão de sujar os ombros..." da  Médica Interna FE MGF Albina Oliveira)



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Os desagradáveis vómitos




Os vómitos resultam da expulsão do conteúdo alimentar do estômago de forma involuntária. Podem ter inúmeras etiologias entre as quais a infeciosa (nas quais se encontra a conhecida “gastroenterite” e que muitas vezes se associa a diarreia), as perturbações do canal auditivo interno (por exemplo, o síndrome vertiginoso), as metabólicas e outras.

Quando temos um episódio de vómito, devemos fazer uma pausa alimentar de 30 minutos e, gradualmente, iniciarmos a ingestão de líquidos (água ou chá com adição de açúcar, formulações hidroeletrolíticas pediátricas ou para adultos) em pequenas quantidades consoante a nossa tolerância.


No caso das crianças, a maior parte dos quadros de vómitos não implica o tratamento com agentes farmacológicos como a metoclopramida e a domperidona, sendo episódios transitórios e resolúveis apenas com medidas dietéticas. Nos adultos, podemos utilizar estes fármacos como co-adjuvantes.

Depois da tolerância dos líquidos, devemos introduzir progressivamente alimentos de maior consistência mas mantendo uma dieta alimentar restritiva em legumes verdes/crus, frutos crus, laticínios, gorduras, molhos. Deveremos preferir a confeção dos alimentos sob a forma de cozidos, grelhados e estufados, sendo a sopa branca de arroz, cenoura e cebola uma boa alternativa (a canja, contrariamente ao que se pensa, não é uma boa aposta, pois resume-se a água, gordura e frango). Para uma sobremesa, a gelatina ou a pêra/maçã cozida são boas opções.

Contudo, se os vómitos persistirem, se se sentir fraco e até com a sensação que vai desmaiar deve procurar ajuda médica. Outros sinais de alarme, são os vómitos esverdeados, acastanhados ou com conteúdo hemático, e ainda aqueles associados a sintomas como a dor abdominal contínua, febre que persiste por mais de três dias. A salientar-se que no caso dos recém-nascidos com vómitos de repetição, estes devem ser encaminhados para o serviço de urgência hospitalar.

BIBLIOGRAFIA:
1 – Singhi SC, Shah R, Bansal A, Jayashree M, Management of a Child with Vomiting. Indian J Pediatr. 2013 Jan 23
2 – Espí M., Cabañero J. Vómitos. Protocolos diagnóstico-terapéuticos de Urgencias Pediátricas SEUP-AEP
3 – Lima RS, Dias JA. Gastroenterite Aguda. Nascer e Crescer 2010; 19(2): 85-90
4 – Carlo Di Lorenzo, MD, Approach to the infant or child with nausea and vomiting, in www.update.com, last updated Jun 12, 2012
5 – Chandran L. and Chitkara M., Vomiting in Children: Reassurance, Red Flag, or Referral? Pediatrics in Review June 2008; 29:183-192; doi:10.1542/pir.29-6-183
 6 – Coelho J. et al, Vómitos. Orientações Técnicas UPIP. 249-256
7 – NASPGHAN, Pediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition Handbook, 1.º edição
8 – Direção Geral de Saúde (DGS), Orientações Técnicas nº 14.
9 – Holliday MG, Segar WE. Pediatrics, 1957; 19: 823-832.
10 – Yilmaz HL et al. Clinical Trial. Aliment Pharmacol Ther. 2010 ; 31 : 52-91.
(Artigo baseado em: "Doutor, estou com vómitos e agora?" das  Médicas Internas FE MGF Ângela Soares e Albina Oliveira)

segunda-feira, 30 de março de 2015

Será que estou com PNEUMONIA?


 A pneumonia consiste numa infecção das vias aéreas inferiores, afetando os pulmões.

O utente ou doente que apresenta pneumonia pode apresentar sinais e sintomas como febre, tosse, presença de secreções/expectoração, falta de ar /dispneia e, por vezes, uma saturação de oxigénio no sangue baixa, bem como alteração da frequência respiratória, da frequência cardíaca e dos valores de pressão arterial.

A incidência é maior nas faixas etárias mais baixas e mais elevadas, ou seja, em crianças e em idosos. Está associada a uma mortalidade significativa.

 

 

2 -  Classificação 

A pneumonia pode ser:
·         Adquirida na Comunidade – agentes mais frequentes são Streptococcus pneumoniae (o mais comum), Haemophilus influenzae e Mycoplasma pneumoniae. Seguindo-se os agentes Staphylococcus aureus, Legionella species, Moraxella catarrhalis e Chlamydia. Os vírus aparecem na etiologia em cerca de 15% dos casos.
·     Adquirida no Hospital ou Nosocomial (mesmo após alta hospitalar; utentes que vivem em instituições de saúde como lares) – os agentes envolvidos são agentes mais agressivos e que podem exigir tratamentos com antibióticos de largo espectro, que só podem ser administrados em contexto hospitalar.
·         Aspiração – nomeadamente, em utentes dependentes e/ou acamados, pós-AVC, com doenças neuromusculares, diminuição do estado de consciência, patologia esofágica, higiene dentária precária.
·    Em doentes imunocomprometidos – como doentes com VIH, doenças oncológicas, entre outros.

 

 

3 -  Exames que poderão ser úteis

Nos casos de pneumonia adquirida na comunidade e sem critérios de gravidade, os exames complementares de diagnóstico podem ser descartados e o médico pode iniciar um tratamento antibiótico empírico.
Nos restantes casos, associados a maior gravidade e utentes de risco como os referidos anteriormente, o estudo analítico com hemograma, parâmetros sugestivos de infeção, serologias, radiografia do tórax e, em certos casos, a análise microbiológica das secreções respiratórias e do sangue pode ser valiosa para o direcionamento terapêutico.


4 -   Como se avalia a gravidade?

 

Através da aplicação do CURB-65, um acrónimo cujo significado apresentamos abaixo:

  • Confusão
  • Ureia: Níveis elevados
  • Respiração: Frequência Respiratória maior que 30 ciclos por minuto.
  • Pressão arterial sanguínea (Blood pressure): sistólica menor a 90 mmHg ou diastólica menor a 60 mmHg
  • Idade maior ou igual a 65 anos.
Quantos mais critérios forem somados, maior o risco para internamento hospitalar e maior a gravidade.

 

 

5 -  O tratamento

 O tratamento passa pela administração de antibióticos (via oral ou endovenosa consoante o caso), oxigenioterapia para manutenção de uma saturação de oxigénio estável, fluidoterapia como soroterapia se anorexia, desidratação ou caso de choque e, eventualmente, analgesia.

 

 

6 -   Pode deixar sequelas?

Em alguns casos, a pneumonia pode estar associada a derrame pleural, a um empiema (uma colecção de pus), a um abcesso pulmonar, pericardite (inflamação do tecido que envolve o coração), miocardite (inflamação do músculo cardíaco), sépsis (infeção generalizada), devendo-se vigiar atentamente os doentes que não evoluem de forma favorável.

 

7 -   Posso fazer alguma coisa para evitar estas infecções?

Existe uma vacina anti-pneumocócica (contra serotipos/estirpes do agente infeccioso mais frequente) que deve ser recomendada e administrada a grupos de risco, a crianças e aos idosos, doentes com comorbilidades significativas, doenças crónicas como a diabetes, imunossuprimidos, que não têm baço, entre outras situações de risco que a justifiquem.


8 -   Mitos ou verdades?

  •  Se eu apanhar uma corrente de ar posso apanhar uma pneumonia – MITO
  • Se eu andar descalço posso estar mais susceptível a uma infeção respiratória – MITO
  • Se eu andar de cabelo molhado, arrisco-me a ter uma pneumonia – MITO
  • Devo beber líquidos muitos quentes ou muito frios para a melhorar – MITO
  • A pneumonia como é provocada maioritariamente por vírus ou bactérias pode ser contagiosa – VERDADE
  • A higiene das mãos e a evicção de contacto próximo com pessoas com pneumonia pode prevenir o seu aparecimento - VERDADE


Bibliografia:
Longmore M et al, Oxford Handbook of Clinical Medicine, 8th edition, Oxford University Press, 2010

(Artigo baseado em "O meu médico disse que eu tinha uma PNEUMONIA…" pela Médica interna FE MGF Ângela Soares)

segunda-feira, 23 de março de 2015

Pais 24 horas junto dos seus bebés em Obstetrícia do HPH


No Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano Pais já podem permanecer 24 horas junto dos seus bebés recém-nascidos 

Os pais vão ter a possibilidade de permanecer junto dos seus bebés e das mães durante 24 horas, no Serviço de Obstetrícia do Hospital Pedro Hispano. Esta possibilidade de acompanhamento contínuo agora anunciada como uma «prenda» especial de Dia do Pai, visa corresponder a uma necessidade há muito sentida pelos profissionais do serviço, no contacto com os pais de bebés recém-nascidos que, cada vez mais, querem participar nestes primeiros dias de vida do filho. 

Apesar do horário alargado que o serviço já disponibiliza aos pais dos recém-nascidos (9h00-22h00), a possibilidade de ficarem durante a noite permite um maior acompanhamento e cuidados por parte do pai, proporcionando também à mãe mais apoio, ajuda e segurança para ultrapassar o cansaço e a ansiedade natural dos primeiros dias de vida do bebé.

 «Tendo em conta a nossa experiência profissional, um acompanhamento e envolvimento mais contínuo permite que os pais se tornem mais seguros, confiantes, mais capazes para a prestação de cuidados ao bebé, que seria partilhada por ambos», diz Enfª Paula Rajão, responsável do Serviço de Obstetrícia. 

No caso de não ser possível ao pai do bebé permanecer no serviço, a mãe, se assim o desejar, pode escolher outra pessoa que seja significativa para ela e que a acompanhe. Inovando uma vez mais na resposta aos seus utentes, o Hospital Pedro Hispano é o primeiro hospital público a disponibilizar este serviço.

segunda-feira, 16 de março de 2015

OS 7 MANDAMENTOS PARA A PELE ATÓPICA/URTICÁRIA





A dermatite atópica (DA) é uma doença da pele crónica e recorrente, caraterizada por surtos e remissões e cujo principal sintoma é a comichão (prurido). Em associação, as pessoas com este problema podem apresentar uma história familiar ou pessoal de asma e/ou rinite alérgica.

O seu médico de família, pediatra ou dermatologista diagnostica a dermatite atópica baseando-se no aspeto e localização típica das lesões, que vão mudando com a idade e tornam desnecessários outros testes ou exames complementares (análises, testes alergénicos) na maioria dos casos.
O sucesso do tratamento da dermatite atópica depende dos cuidados diários, que são especialmente importantes no período entre os surtos.
Oferecemos-lhe conselhos básicos que vão ajudar a lidar com a doença no dia-a-dia.

1 – Hidratação diária
Hidrate diariamente o corpo (creme hidratante/gordo/próprio para pele atópica). Hidratar a pele todos os dias com emolientes, é um cuidado básico e indispensável. É a base do controlo da doença e complementa o tratamento médico dos surtos.
Tenha paciência, lembre-se que a dermatite atópica evolui em surtos repetidos, e não mude constantemente o produto hidratante. Isto não vai resolver o problema e poderá aumentar o risco de sensibilização (alergia) a alguns destes produtos.

2 – Pode comer de tudo, no entanto…
A dermatite atópica raramente é agravada pela ingestão de alimentos e não melhora com dietas nem com restrições alimentares.
No entanto, tenha atenção especial aos seguintes alimentos e ao possível agravamento da doença após a sua ingestão:
·           Frutos Secos;
·           Frutos Tropicais;
·           Morangos e Kiwis (sementes altamente “alergénicas”/sensibilizantes);
·           Marisco.

3 – Pode tomar banho sempre que necessário, no entanto…
Não é preciso restringir o número de banhos, desde que sejam curtos. A temperatura da água deve estar entre 32-33ºC (água muito quente deve ser evitada) e devem ser usados sabonetes adequados (sem detergentes). A hidratação após o banho é imprescindível.
Cuidado ao limpar-se na toalha após o banho. Evite a exfoliação da pele, que pode causar irritação. Depois do banho, limpe suavemente com a toalha.

4 – Atenção à roupa
Vista roupa de algodão ou fibras naturais, sempre que possível, evitando lã e tecidos sintéticos.
Remova as etiquetas da roupa, já que são causa frequente de irritações e prurido. Escolha a roupa de cama adequada, evitando materiais sintéticos e lençóis de flanela.
O calçado deve permitir a transpiração. O uso prolongado de calçado desportivo piora a dermatite atópica.

5 – Cuidado com o suor excessivo
O suor excessivo pode agravar a dermatite atópica.
É essencial o banho imediatamente após o exercício físico para remover a transpiração e produtos desinfectantes das piscinas, caso faça natação.

6 – Atenção às unhas
As unhas devem manter-se curtas e limpas, por forma a evitar ao máximo o traumatismo da pele, caso surja vontade de se coçar.

7 – Precisa de tratamento médico?
Se tiver um surto e o prurido for muito intenso, lembre-se que quanto mais coçar, mais danifica a sua pele, provocando fibrose, espessamento e hiperpigmentação. Se necessitar de tratamento direcionado, pode controlar os sintomas com anti-histamínicos. Os anti-histamínicos vão ajudar a controlar a comichão e os sinais de irritação.
Os corticóides tópicos, utilizados sob supervisão médica e em períodos curtos, continuam a ser o elemento essencial do tratamento da dermatite atópica. Deve ter-se um cuidado especial ao aplicá-los em áreas de grande extensão, na cara, pregas da pele, assim como nos lactentes.
Os novos tratamentos imunomoduladores tópicos oferecem uma alternativa eficaz e segura no controlo a longo prazo da dermatite atópica.


Bibliografia:

Wolff , K. , Fitzpatrick´s  Color Atlas & Synopsis of clinicalDermatology. 5th edition, McGrawHill. New York, 2005.
Wolff , K. , Fitzpatrick´s Dermatology in General Medicine. 7th edition, McGrawHill. New York, 2008.
(Artigo baseado em: "Os 7 Mandamentos para a pele Atópica/Urticária" pela Médica interna FE MGF Ângela Soares)


segunda-feira, 2 de março de 2015

Os Malefícios do Tabaco



O consumo de tabaco é actualmente responsável por cerca de 5 milhões de mortes anuais, constituindo a primeira causa de morbilidade e de mortalidade evitáveis nos países desenvolvidos.





Fumar causa doenças?
As consequências do consumo de tabaco estão bem estabelecidas para um grande número de doenças, com particular destaque para:




O risco de doença está directamente relacionado com:
·         O número de cigarros fumados
·         Precocidade de início (quanto mais cedo pior!)
·         Profundidade de inalação
·         Grau de dependência (fumar em jejum é um sinal de elevada dependência)


Que substâncias do tabaco fazem mal à saúde?
Na constituição do tabaco estão 4.500 substâncias químicas, com efeitos cancerígenos (que provocam cancro), tóxicos e irritantes.
Para melhorar o sabor dos cigarros, a indústria do tabaco manipula o fabrico dos cigarros recorrendo à adição de aditivos químicos, humidificantes e aromatizantes, cujos efeitos na saúde, uma vez queimados e inalados, não são ainda completamente conhecidos.




O tabaco é uma droga?
Na sua composição existe também a nicotina, que é uma substância com propriedades psicoactivas com elevada capacidade em induzir dependência física e psicológica (“o vício”), por processos semelhantes aos da heroína ou da cocaína. Os sintomas de dependência à nicotina podem surgir após alguns dias ou semanas de uso ocasional. Uma vez absorvida, a nicotina atinge o cérebro em menos de dez segundos.

Qual o tabaco mais seguro?
Não existe nenhuma forma de tabaco segura.
Atualmente é reconhecido por todas as entidades internacionais que todas as formas e produtos de tabaco (cachimbo, tabaco de enrolar, cigarrilhas, etc) são nocivos para a saúde, não havendo um limiar seguro de exposição.

O fumador também prejudica a saúde dos seus conviventes?
O tabagismo é um problema de saúde pública, pois quem convive com o fumador (o fumador passivo) também poderá desenvolver doenças por estar exposto ao fumo do cigarro.
As principais vítimas são as crianças.




Quais são os benefícios de deixar de fumar?
  • Parar de fumar tem vantagens em qualquer idade
  • Diminui o risco de morte prematura, permitindo recuperar os anos de expectativa de vida potencialmente perdidos devido à continuação do consumo
  • Traz vantagens imediatas e a médio/longo prazo:
Tempo decorrido após deixar de fumar
Alterações na saúde
20 minutos
a pressão arterial e a pulsação voltam ao normal
8 horas
Os níveis de nicotina e de monóxido de carbono baixam para metade
24 horas
O monóxido de carbono começa a ser eliminado. Os pulmões funcionam melhor.
48 horas
Deixa de existir nicotina no organismo. O paladar e o olfato melhoram significativamente
72 horas
A capacidade pulmonar melhora e a respiração torna-se mais fácil.
3 a 9 meses
A tosse, pieira e os problemas respiratórios melhoram
5 anos
O risco de enfarte do miocárdio diminui para cerca de metade do d eum fumador
10 anos
O risco de cancro do pulmão diminui para metade do de um fumador.
15 anos
O risco de doença cardiovascular é igual ao de um não fumador do mesmo sexo e idade.


Os fumadores perdem em média dez anos de esperança de vida, que podem ser recuperados se pararem de fumar!

Se se sentir motivado(a) para deixar de fumar nos próximos 6 meses deverá contactar o seu enfermeiro(a) de família ou médico(a) de família.

Pode, também, se dirigir directamente à Unidade de Alcoologia do Porto Dr. José Barrias (No parque automóvel da USF Oceanos) ou contactar por telefone (22045060) ou email (ua.norte@idt.min-saude.pt) e pedir a marcação de uma consulta de cessação tabágica.


Bibliografia:
  • Programa-tipo para Cessação tabágica. Direção Geral de Saúde, Dezembro 2007.
  • Nunes E. Consumo de tabaco. Efeitos na Saúde. Rev Port Clin Geral 2006; 22:225-44

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Cera nos Ouvidos


Cera nos Ouvidos faz mal à audição? Devo removê-la?

Uma questão muitas vezes levantada pelos utentes é aquela relacionada com a produção de cerúmen (cera) nos ouvidos.
É um processo natural, sendo de salientar que o próprio ouvido tem mecanismos para que o cerúmen seja direccionado para a entrada do canal auditivo externo (figura 1). Basicamente, o ouvido apresenta um “sistema de limpeza automático” que provoca a deslocação da cera do interior para o exterior do canal auditivo externo.


          Figura 1 – Imagem ilustrativa da estrutura anatómica do ouvido. (sobiologia.com)


Devo limpar os ouvidos? Uso cotonetes?

Não se devem inserir objectos no interior do canal auditivo externo, uma vez que há o risco de estes serem introduzidos profundamente, empurrarem ainda mais o cerúmen e, em última instância, originarem rolhões de cerúmen (são acumulações excessivas de cera que ocluem o canal auditivo externo e podem levar à diminuição da acuidade auditiva) e/ou provocar a ruptura da membrana timpânica (tímpano). Sendo assim, basta limpar o orifício externo do ouvido com uma toalha ou compressa molhada. As conhecidas e tão utilizadas cotonetes são prescindíveis e, se utilizadas, deverão apenas estar limitadas à entrada do canal auditivo externo e ao pavilhão auricular.



Figura 2 – Rolhão de cerúmen no canal auditivo externo. (www.sinuscentro.com)


- E se começar a ouvir mal?

Existem múltiplas causas que podem estar na base de uma diminuição da acuidade auditiva, entre as quais, a acumulação de cerúmen, a ruptura da membrana timpânica, a disfunção da cadeia de ossículos do ouvido médio ou, até mesmo, a lesão do nervo auditivo.
Se notar diminuição da audição de um ou dos dois ouvidos deverá dirigir-se ao seu Médico de Família ou otorrinolaringologista assistente.
Se notar surdez súbita, dever-se-á deslocar ao Serviço de Urgência de Otorrinolaringologia pois pode tratar-se de um caso onde uma actuação precoce pode fazer a diferença entre a manutenção ou a perda de audição.

- E os sprays para remover a cera? E as gotas?

Os sprays, amplamente divulgados pelos meios de comunicação social, não são necessários para a limpeza do ouvido, já que o próprio organismo se encarrega disso (como explicado previamente).
Mesmo em casos de acumulação excessiva de cera, podemos optar por duas soluções consoante a quantidade e a consistência do cerúmen: gotas para colocação no canal auditivo externo que têm a função de “amolecer” a cera e, consequentemente, facilitar a sua saída ou, nos casos de rolhões de cera de consistência dura, nos dirigirmos a um otorrinolaringologista para este proceder à sua remoção (com/sem lavagem) com todos os meios técnicos necessários e menos risco de se verificar uma perfuração timpânica.

                                               Ângela Soares – Médica de Medicina Geral e Familiar 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Tolerância de ponto


Por indicação superior estaremos encerrados dia 2/01/2015.
(Despacho n.º 15291/2014 – Diário da República n.º 243/2014, Série II de 2014-12-17)

Em caso de necessidade dirija-se às alternativas assistenciais: